domingo, agosto 15, 2010

Traços adicionais comuns a pessoas com TPL

Pessoas com este transtorno podem ter outros atributos que não fazem parte da definição do DSM, mas que os investigadores acreditam serem comuns ao Transtorno. Muitas desses podem estar relacionados a abuso físico ou sexual sofridos cedo na vida.

Profunda vergonha
Há no Borderline o sentimento omnipresente de que é falho e deficiente como ser humano. Deixa de ser uma emoção que assinala os seus limites para ser um nucleo de identidade. Esta vergonha tóxica lhe dá uma sensação de inutilidade, a sensação de estar isolado, vazio, e completamente só.

Limites indefinidos

Questões de controle
Pessoas com este transtorno podem precisar sentir-se no controle de outras pessoas, porque sentem que não se conseguem controlar a si ´próprias. Além disso, eles podem estar tentando tornar o seu mundo mais predizível e controlável. Borderlines podem inconscientemente tentar controlar os outros pondo-os em qualquer situações vitoriosas, criando o caos que mais ninguém pode descobrir, ou acusando outro de tentar controlá-las. Em contrapartida, alguns podem lidar com a sensação de controlo por abandonar a sua própria energia; por exemplo: eles podem escolher um estilo de vida onde todas as escolhas são feitas por eles, como o serviço militar ou um culto, ou eles podem se alinhar com pessoas abusivas que tentam controlá-los através do medo.

Falta constância do objecto
Quando estamos sós, muitos de nós conseguem acalmar-se por recordar o amor que os outros têm por nós. Isto é muito confortável mesmo que essas pessoas estejam longe, ou mesmo que até não estejam mais vivos. Esta capacidade é conhecida como constância de objetos. Algumas pessoas com Transtorno Borderline, no entanto, acham difícil invocar uma imagem de um ente querido a acalmá-los quando se sentem tristes ou ansiosos. Se a pessoa não estiver fisicamente presente, simplesmente não existe a nível emocional. Por isso é que o Borderline pode telefonar-lhe frequentemente só para ter certeza que você ainda está lá e ainda se preocupa com eles. 

Sensibilidade Interpessoal
Muitos indivíduos teêm notado que alguns pessoas com TPL teêm uma habilidade incrivel de ler as pessoas e descobrir seus gatilhos e vulnerabilidades. Já houve quem chamasse estes Borderlines de «psiquicos».

Competência Situacional
Alguns pessoas com TPL são competentes e estão no controle em alguns casos. Por exemplo: muitos têm um desempenho muito bom no trabalho e são grandes empreendedores. Muitos são muito inteligentes, criativos e artísticos. Isto pode ser muito confuso para os familiares que não entendem porque a pessoa pode agir deste modo numa situação e não serem bem sucedidos em outras situações.

Demandas Narcisicas
Alguns indivíduos com TPL procuram frequentemente trazer o foco da atenção para si. Eles podem reagir às situações baseando-se exclusivamente em como elas os afetam.

Fonte: http://www.bpdcentral.com/resources/basics/additional.shtml

quinta-feira, agosto 12, 2010

segunda-feira, agosto 09, 2010

11 Sinais preocupantes do Transtorno de Personalidade Normal

1. Busca Regular de apoio numa rede de amigos e familiares.

2.Expectativas positivas crónicas.

3. Episódios repetidos de gratidão e generosidade.

4. Aumento de vontade para a atividade física.

5. Tendência marcada de identificar e expressar sentimentos.

6. Compulsão de contribuir para a sociedade.

7. Grande sensibilidade aos sentimentos dos outros.

8. Comportamento habitual relacionado à busca de novos desafios.

9. Ânsia por experiências de pico.

10. Tendência a se adaptar às novas condições.

11. Bom sennso de humor persistente.

Fonte: http://www.bouldertherapist.com/html/humor/MentalHealthHumor/12signGoodHealth.html

Letra «Entre mim e eu» - Luís Represas

Porque é que naquela rocha
Perdida no meio do mar
Arrasada pelo vento
Despida pelo luar
Porque é que foi no segredo
De não ter com quem falar
Que me despedi do medo
Que tinha de me encontrar

Desembarco só
Neste porto só
Sou eu quem me espera
Entre mim e eu
Um de nós me deu
O espelho que eu quero

Não foi por ser inocente
Que ali me fui encontrar
A mim que já não me via
Nem me podia tocar
Foi porque um de nós sabia
O que o outro lhe contou
Sabia que não fugia
Nenhum de nós lá ficou

Desembarco só
Neste porto só
Sou eu quem me espera
Entre mim e eu
Um de nós me deu
O espelho que eu quero

Gostava que tu soubesses
Que tenho a rota traçada
Sei lá ir quando quiseres
Se houver conversa adiada

sábado, agosto 07, 2010

Transtorno de Personalidade Histriónico

Características de Diagnóstico

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Histriônica consiste de um padrão invasivo de emocionalidade excessiva e comportamento de busca de atenção, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica sentem-se desconfortáveis ou desconsiderados quando não são o centro das atenções (Critério 1). Freqüentemente animados e dramáticos, tendem a chamar a atenção sobre si mesmos e podem, de início, encantar as pessoas com quem travam conhecimento por seu entusiasmo, aparente franqueza ou capacidade de sedução.
Tais qualidades, contudo, perdem sua força à medida que esses indivíduos continuamente exigem ser o centro das atenções. Eles requisitam o papel de "dono da festa". Quando não são o centro das atenções, podem fazer algo dramático (por ex., inventar estórias, fazer uma cena) para chamar a atenção.
Esta necessidade freqüentemente se manifesta em seu comportamento diante do clínico (por ex., adular, trazer presentes, oferecer descrições dramáticas de sintomas físicos e psicológicos que a cada consulta são substituídos por sintomas novos).
A aparência e o comportamento dos indivíduos com este transtorno com freqüência são, de maneira inadequada, sexualmente provocantes ou sedutores (Critério 2). Este comportamento é dirigido não apenas às pessoas pelas quais o indivíduo demonstra um interesse sexual ou romântico, mas ocorre em uma ampla variedade de relacionamentos sociais, ocupacionais e profissionais, além do que seria adequado para o contexto social.
A expressão emocional pode ser superficial e apresentar rápidas mudanças (Critério 3). Os indivíduos com este transtorno usam consistentemente sua aparência física para chamar a atenção (Critério 4).
Eles empenham-se excessivamente em impressionar os outros com sua aparência e despendem tempo, energia e dinheiro excessivos para se vestir e se arrumar. Eles podem "caçar elogios" pela sua aparência e se aborrecer com facilidade e em demasia por algum comentário crítico acerca de como estão ou por uma fotografia na qual, em sua opinião, não saíram bem.
Esses indivíduos têm um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes (Critério 5). Fortes convicções em geral são expressadas com talento dramático, porém com um embasamento vago e difuso, sem fatos e detalhes corroborantes. Por exemplo, um indivíduo com Transtorno da Personalidade Histriônica pode comentar que determinado indivíduo é uma pessoa maravilhosa, porém ser incapaz de oferecer quaisquer exemplos específicos de boas qualidades que confirmem sua opinião.
Os indivíduos com este transtorno caracterizam-se por autodramatização, teatralidade e expressão emocional exagerada (Critério 6). Eles podem embaraçar amigos e conhecidos por uma excessiva exibição pública de emoções (por ex., abraçar conhecidos casuais com um ardor exagerado, soluçar incontrolavelmente em ocasiões sentimentais de pouca importância, ou ter ataques de fúria).
Entretanto, suas emoções com freqüência dão a impressão de serem ligadas e desligadas com demasiada rapidez para serem profundamente sentidas, o que pode levar a acusações de que estão fingindo.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica têm um alto grau de sugestionabilidade (Critério 7).
Suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros e por tendências do momento. Eles podem ser confiantes demais, especialmente em relação a fortes figuras de autoridade, a quem vêem como capazes de oferecer soluções mágicas para seus problemas. Eles apresentam uma tendência a curvar-se a intuições ou adotar convicções prontamente.
Os indivíduos com este transtorno muitas vezes consideram os relacionamentos mais íntimos do que são de fato, descrevendo praticamente qualquer pessoa recém conhecida como "meu querido, meu amigo" ou chamando um médico visto apenas uma ou duas vezes sob circunstâncias profissionais por seu prenome (Critério 8). Devaneios românticos são comuns.

Características e Transtornos Associados

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica podem ter dificuldade em adquirirem intimidade emocional em relacionamentos românticos ou sexuais. Eles com freqüência representam um papel (por ex., "vítima" ou "princesa") em seus relacionamentos, sem se dar conta disto. Eles podem, em um nível, tentar controlar seu parceiro através da manipulação emocional ou sedução, enquanto exibem acentuada dependência em outro nível.
Os indivíduos com este transtorno muitas vezes têm relacionamentos deficientes com amigos do mesmo sexo, porque seu estilo interpessoal sexualmente provocante pode parecer uma ameaça aos relacionamentos dos amigos.
Esses indivíduos também podem afastar os amigos com suas exigências de constante atenção. Eles freqüentemente ficam deprimidos e aborrecidos quando não são o centro das atenções. Eles podem ser ávidos por novidades, estimulação e excitação e ter uma tendência a entediar-se com sua rotina habitual.
Estes indivíduos em geral manifestam intolerância ou frustração por situações que envolvem um adiamento da gratificação, sendo que suas ações freqüentemente são voltadas à obtenção de satisfação imediata.
Embora muitas vezes iniciem um trabalho ou projeto com grande entusiasmo, seu interesse pode desaparecer rapidamente. Os relacionamentos a longo prazo podem ser deixados de lado para dar lugar a relacionamentos novos e excitantes.
O risco real de suicídio é desconhecido, mas a experiência clínica sugere que os indivíduos com o transtorno estão em maior risco para gestos ou ameaças de suicídio para chamar a atenção e coagir os outros a um maior envolvimento. O Transtorno da Personalidade Histriônica tem sido associado com taxas superiores de Transtorno de Somatização, Transtorno Conversivo e Transtorno Depressivo Maior.
Existe, freqüentemente, a co-ocorrência de Transtornos da Personalidade Borderline, Narcisista, Anti-Social e Dependente.

Características Específicas à Cultura, à Idade e ao Gênero

As normas de comportamento interpessoal, aparência pessoal e expressão emocional variam amplamente entre as culturas, gêneros e grupos etários. Antes que os vários traços (por ex., emocionalidade, sedução, estilo interpessoal dramático, busca de novidades, sociabilidade, encanto, impressionabilidade e tendência à somatização) possam ser considerados evidências de um Transtorno da Personalidade Histriônica, é importante determinar se eles causam prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo.
Nos contextos clínicos, este diagnóstico tem sido mais freqüente em mulheres; entretanto, a proporção entre os sexos não difere significativamente em relação à clientela geral do respectivo contexto clínico. Em contrapartida, alguns estudos usando avaliações estruturadas relatam taxas similares de prevalência entre homens e mulheres.
A expressão comportamental do Transtorno da Personalidade Histriônica pode ser influenciada pelos estereótipos do papel sexual. Por exemplo, um homem com este transtorno pode vestir-se e comportar-se de um modo freqüentemente identificado como "machão", procurando ser o centro das atenções e alardeando habilidades atléticas, ao passo que uma mulher, por exemplo, pode escolher roupas muito femininas e falar acerca do quanto impressionou seu instrutor de dança.

Prevalência

Os poucos dados de estudos da população geral sugerem uma prevalência de cerca de 2-3% para o Transtorno da Personalidade Histriônica. Taxas de cerca de 10 a 15% foram relatadas em contextos ambulatoriais e de internação em saúde mental, ao utilizar uma avaliação estruturada.

Outros Transtornos da Personalidade podem ser confundidos com o Transtorno da Personalidade Histriônica, em razão de certos aspectos em comum, de modo que é importante distinguir esses transtornos com base nas diferenças em seus aspectos característicos.
Entretanto, se um indivíduo apresenta características de personalidade que satisfazem os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade além do Transtorno da Personalidade Histriônica, todos podem ser diagnosticados.
Embora o Transtorno da Personalidade Borderline também possa caracterizar-se por busca de atenção, comportamento manipulador e rápidas oscilações emocionais, ele se distingue por um comportamento autodestrutivo, rompimentos coléricos de relacionamentos íntimos e sentimentos crônicos de profundo vazio e perturbação da identidade.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social e Transtorno da Personalidade Histriônica compartilham uma tendência à impulsividade, superficialidade, busca de excitação, imprudência, sedução e manipulação, porém no Transtorno da Personalidade Histriônica existe uma maior tendência ao exagero das emoções e a não se envolver, caracteristicamente, em comportamentos anti-sociais.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica são manipuladores para obter afeto, ao passo que no Transtorno da Personalidade Anti-Social a manipulação ocorre para obter vantagens financeiras, poder ou alguma outra forma de gratificação material. Embora os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista também sejam ávidos pela atenção dos outros, eles comumente desejam obter louvores por sua "superioridade", ao passo que o indivíduo com Transtorno da Personalidade Histriônica presta-se a ser visto como frágil ou dependente, se isto for de utilidade para obter atenção.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista podem exagerar a intimidade de seus relacionamentos, mas estão mais propensos a enfatizar a condição "VIP" ou de riqueza de seus amigos. No Transtorno da Personalidade Dependente, a pessoa é excessivamente dependente dos elogios e orientação dos outros, mas não apresenta as características exuberantes, exageradas e emotivas do Transtorno da Personalidade Histriônica.
O Transtorno da Personalidade Histriônica deve ser diferenciado de uma Alteração da Personalidade Devido a uma Condição Médica Geral, na qual os traços emergem devido aos efeitos diretos de uma condição médica geral sobre o sistema nervoso central.
Ele também deve ser distinguido de sintomas que podem desenvolver-se em associação com o uso crônico de substâncias (por ex., Transtorno Relacionado à Cocaína Sem Outra Especificação).
Muitos indivíduos podem exibir traços de personalidade histriônica, mas estes apenas constituem um transtorno da Personalidade Histriônica quando são inflexíveis, mal-adaptativos e persistentes e causam prejuízo funcional significativo ou sofrimento subjetivo.

Fonte de matéria: http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm_janela.php?cod=159

segunda-feira, agosto 02, 2010

Pensamentos inquietantes de uma Borderline

Eu não sei porque é que fiz isto!

E se eu fiz alguma coisa de errado?

Acham que não é suposto eu estar sempre a pensar?

Não me faças ficar chatiada!

Não consigo parar de me preocupar, mesmo que queira.

Parece que simplesmente não consigo começar nada.

A minha casa está sempre de pernas pro ar.

Porque é que eu sempre falo sem primeiro pensar?

Como fico seriamente chatiada com os outros!

A minha vida é feita de altos e baixos

Porque é que para eu ser feliz preciso de me esforçar tanto, e os outros não?

Eu odeio-me quando as pessoas não gostam de mim

Não tenho energia

Para quê lutar? Não vai resultar de qualquer modo.

Se eu morrer, a dor finalmente desaparecerá.

Não acredito no que fiz. Nunca me perdoarei a mim mesma.

Eu entendo que a comida é como uma droga para mim, mas mesmo assim não consigo parar de comer em excesso.

As pessoas acham que eu sou esquisita

Sinto-me tão revoltada!

 É tão dificil tomar decisões!

Eu mereço sofrer

Eu tenho um temperamento muito mau.

Eu odeio-me a mim própria

Não consigo parar de sentir que ou enlouqueço ou morro.

O stress transforma-me num monstro.

Não me obriguem a cumprir com as minhas responsabilidades!

As coisas não parecem reais. Tenho medo de dizer isto aos outros.

Nada realmente trata a minha depressão..

Tenho momentos de mau humor sem haver um bom motivo.

Ansiedade, revolta, depressão e desespero.

Sinto-me tão vazia cá dentro.

Simplesmente parece que não consigo terminar as minhas tarefas.


Desespero = Agonia; Sofrimento intenso; tristeza pungente

quinta-feira, maio 20, 2010

Misantropia

Um misantropo é uma pessoa que tem aversão ao convívio social, que gosta de viver em isolamento, não se preocupando em se relacionar com outras pessoas, e tendo pouca ou nenhuma vida social. Embora tenham uma antipatia geral para com os outros, têm relações normais com individuos especificos (familiares, amigos, companheiros, por exemplo).

A misantropia pode ser motivada por sentimentos de isolamento ou alienação social, ou simplesmente desprezo pelas características prevalecentes na sociedade.
 

A misantropia não implica necessariamente uma atitude bizarra em relação aos outros. Um misantropo não vive afastado do mundo, apenas é reservado (introvertido/timido fundamentalmente) e, é precisamente por este facto que é habitual serem poucos os seus amigos ou pessoas que estabeleçam um vinculo afetivo. Olham para todas as pessoas com uma desconfiança, e é frequente serem feitos "juízos de cálculo" de cada um que se aproxime, embora muitas vezes não o demonstrem. São pessoas que não gostam de grande agitação ao seu redor, pois não se sentem bem diante de muita gente, preferindo ficar em casa a sair para locais de diversão (indisposição para ir a lugares com muita gente, por exemplo, baladas/festas, o que invariavelmente faz da pessoa uma caseira convicta). Podem ocorrer frequentes mudanças de humor: ora feliz, ora melancólico, o termómetro do estado de espírito fica louco, oscilando constantemente (poucas são as pessoas que vêem este seu aspecto, normalmente as mais próximas). Normalmente são muito perfeccionistas no que gostam de fazer e no que se comprometem a fazer. É muito frequente destacarem-se nas áreas em que estão inseridos (as que eventualmente têm um à vontade), pois dedicam grande parte do seu tempo ao trabalho. A misantropia costuma aparecer desde logo durante a infância em crianças tímidas, introvertidas e caladas que têm dificuldades em fazer amigos, nomeadamente na escola, preferindo muitas vezes ficarem sozinhas. Com o passar dos anos, tendem a ser bastante sarcásticos/irónicos nas observações que fazem (pode-se dizer que em parte a grande timidez é disfarçada por estas duas características) - têm uma interpretação muito própria de tudo aquilo que vêem e de tudo aquilo que lhes é dito pelas outras pessoas, sendo bastante observadores e atentos ao que os rodeia embora, muitas vezes, não o pareça. Um fato notável é que são muito inteligentes, tendem a resolver desafios e enigmas com muita facilidade, já que vivem de um raciocínio puramente lógico embora não se deixam ser percebidos. Também tendem a ser dislexicos, porém não em todos os casos.

Uma das explicações mais consistentes para esta aversão social deriva do fato de darem bastante relevância aos aspectos negativos que constatam nas pessoas ou simplesmente terem medo que estas os desiludam, daí as evitarem. Têm uma forte sensibilidade ficando extremamente afetados com tudo o que os rodeia (mesmo que muitas vezes não estejam envolvidos diretamente) daí ser muito fácil, ao longo da vida, passarem por várias depressões.

Fonte: Encilopédia Priberam

sábado, abril 17, 2010

Empty - The Cranberries

«Something has left my life
And i dont know where it went to
somebody caused me strife
and its not what i was seeking

didnt you see me didnt you hear me
didnt you see me standing there
why did you turn out the lights
did you know that i was sleeping

say a prayer for me
help me to feel the strength i did
my identity has it been taken
is my heart breaking on me
cos my plans they fell through my hands
they fell through my hands on me
all my dreams it suddenly seems it suddenly seems
empty»

sexta-feira, abril 02, 2010

Personalidade Borderline e as Origens na Infância

Os estudos feitos em pacientes com transtorno de personalidade borderline, quanto às ocorrências na infância enfocaram basicamente a privação da criança, da presença dos pais (principalmente a mãe), assim como problemas familiares intensos. Esses estudos foram inconclusivos. Nos últimos anos passou-se a investigar a relação entre abuso sexual na infância e a personalidade borderline. Nesse caso os estudos encontraram taxas que variavam de 10 a 73% dos pacientes borderline com passada de abuso sexual por parte dos pais ou de quem tomava conta deles; sendo que desses 0 a 33% tiveram relações incestuosas. Ainda nesse assunto, 16 a 71% dos borderline sofreram abuso sexual por pessoas não ligadas ao relacionamento direto. Ficou assim demonstrada uma relação entre abuso sexual na infância e personalidade borderline no adulto. Faltam mais estudos para averiguar se esta questão se relaciona à personalidade borderline exclusivamente ou se também afeta outros distúrbios de personalidade. Talvez tenha faltado uma investigação um pouco mais ampla: afinal quem abusa sexualmente de uma criança tem a personalidade equilibrada ? Será que essas crianças desenvolveram uma personalidade desviada por herança genética ou influência familiar/ambiental ? O abuso sexual compromete a personalidade como um todo ?

A finalidade deste estudo é verificar a influência de outros fatores patológicos na infância dos pacientes com personalidade borderline, além do abuso sexual.

Métodos – No período de março de 1991 a dezembro de 1995 foram selecionados 467 pacientes num hospital americano. Os critérios usados foram os seguintes: idade entre 18 e 50 anos, inteligência normal, sem transtorno psiquiátrico maior como esquizofrenia ou T. bipolar. Para o diagnóstico de personalidade borderline mais acuradamente foram usados questionários semi-estruturados, sendo que os entrevistadores desconheciam o resultado da seleção. Outros clínicos que também desconheciam o diagnóstico e entrevistaram os pacientes quanto a acontecimentos patológicos na infância, como abandono, maus tratos, humilhações e outras experiências da criança.

Resultados – Dos 467 pacientes selecionados, 358 preencheram critérios de transtorno de personalidade borderline para mais de um questionário realizado, e em 109 foi diagnosticado mais de um tipo de transtorno de personalidade.

Outras formas de abuso da criança foram encontradas com maior freqüência do que o abuso sexual isoladamente. 91 e 92% dos pacientes sofreram alguma forma de abuso e abandono respectivamente, e 60% sofreram abuso sexual na infância. 75% dos pacientes passaram por experiências como humilhação, frustração, mensagens ambíguas, serem postos em situações de solução impossível; consideradas como abuso emocional. Outras situações apontadas pelos pacientes foi a responsabilização enquanto crianças de outros membros da família, sentimento de desamparo quanto àqueles que deviam cuidar deles e inconsistência no relacionamento.

Conclusão - O abuso sexual não é uma condição necessária nem suficiente para o desenvolvimento de uma personalidade borderline. Este estudo não foi capaz de definir novas causas para este transtorno psiquiátrico, mas complementou seu conhecimento. Provavelmente a personalidade borderline é multicausal, e vários outros tipos de estudo ainda devem ser feitos.

Referência Biblio.:
Am J Psychiatry 1997; 154:1101-1106
Reported Pathological Childhood Experiences Associated With the Development of Borderline Personality Disorder
Mary C. Zanarini

segunda-feira, março 29, 2010

terça-feira, janeiro 26, 2010

«Origem dos heterónimos de Fernando Pessoa»

“Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos — felizmente para mim e para os outros — mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com os outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher — na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas — cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem — e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia…

“Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo."


in Carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a génese dos heterónimos, de 13 de Janeiro de 1935



terça-feira, janeiro 05, 2010

«Como é ter Transtorno de Personalidade Borderline?» - Os ABCs do TPB by Randi Kreger

Helena é uma mulher borderline de 22 anos que se mudou de um colégio numa pequena comunidade para uma Universidade, a quilómetros de distância longe dos amigos e da familia. Outras pessoas vêm-na como talentosa e brilhante, embora um pouco preguiçosa. Ela olha para si própria como defeituosa e é reservada porque as pessoas aterrorizam-na.
Para aplacar a solidão, ela por vezes dorme com homens que ela não conhece muito bem, só para sentir a peles deles na dela. Ela agora tem uma alimentação compulsiva; no secundário ela era anóréxica. Ela mantém um diário, da qual foi retirada a seguinte entrada (a gramática e a escrita foram mantidas).

«Por vezes quero ser  dependente, quero que tomem conta de mim quero ser amada incondicionalmente quero que todos os outros me entendam plenamente ( a todo o tempo, sem porquês). Eu queros alguém que faça amor comigo, que me ame, que entenda como eu me SINTO, para além do que escrevo neste diário, eu quero realmente tocar em alguém, e quero que alguém me toque. Eu não sei para onde ir, eu duvido tanto de mim, eu não me respeito a mim própria não tenho confiança de que possa fazer o que quer que seja. EU QUERO SER COMO UMA PESSOA NORMAL EU QUERO AMOR VERDADEIRO, sinto-me insegura e cansada. EU TENHO MEDO DE MIM PRÒPRIA E DOS MEUS SENTIMENTOS, TENHO MEDO, HORROR QUE OUTRAS PESSOAS ME MAGOEM, EU NÂO ME CONSIGO ACEITAR A MIM PRÒPRIA EU NÂO ME SINTO EM CONTROLE DO MEU COMPORTAMENTO EU NÂO CONSIGO CONTROLAR A MINHA ALIMENTAÇÂO. Eu penso que se deixasse vir tudo cá pra fora eu gritaria e choraria raiva e medo e desapontamento e raiva e mágoa. Sinto-me como uma criança pequena. Quero alguém que venha e tome o controle e me ajude e me diga que eu vou ficar bem. Eu quero ajudar-me e o meu quarto está tão desarrumado que eu não aguento...Eu sinto que eu alterno entre sentir-me tão morta por dentro como sentir tanta raiva que eu preferiria estar morta! Porque é que eu me sinto tão auto-consciente quando estou ao pé da minha colega de quarto? Ela diz-me que os meus sentimentos são demasiado intensos, que eu sou demasiado longinqua, que levo tudo como sendo uma critica. Porque me sinto tão revoltada quando alguém me diz para abrir-me e partilhar os meus sentimentos? Porque eu permito que me manipulem? Eu tenho tanta fome... Eu sou Eu o meu nome é Helena Helena Helena Helena Helena Helena Helena»

«O Mistério do Transtorno de Personalidade Borderline» - Times - Artigo de 8 de Janeiro de 2009 por John Cloud

Os médicos costumavam ter nomes poéticos para as doenças. Um médico iria chamar  de «consumo», porque uma doença parecia consumi-lo  de dentro para fora. Agora só usamos o nome da bactéria que provoca a doença: a tuberculose. A Psicologia, no entanto, continua a ser uma profissão praticada, em parte, como ciência e, em parte como arte lingüística.

Visto que o nosso conhecimento das aflições da mente continua a ser tão limitada, os psicólogos -, mesmo quando escrita em publicações acadêmicas - tentam ainda implantar metáforas para compreender doenças difíceis. E possivelmente o mais difícil de compreender - e, portanto, um dos mais criativamente chamado - é o misterioso som do distúrbio de personalidade limítrofe (TPL). A  psicóloga Marsha Linehan, uma das maiores especialistas do mundo em TPL, da Universidade de Washington,descreve-a desta forma: «Os  indivíduos Borderline são o equivalente psicológico de pacientes com queimaduras de terceiro grau. Eles simplesmente não têm, por assim dizer, pele emocional. Mesmo os menor toques ou movimentos podem criar um imenso sofrimento. "

Estes são os pacientes que os psicólogos mais temem. Cerca de 75% se auto-mutilam, e aproximadamente 10% cometem suicídio - uma taxa de suicídio extraordinariamente elevada (por comparação, a taxa de suicídio para transtornos de humor é de cerca de 6%). Os Pacientes Borderline parecem não ter nenhum governador interno, pois eles são capazes de profundo amor e ódio quase simultaneamente. Eles são fortemente ligados às pessoas que lhes são próximas e vivem aterrorizados pela possibilidade de perdê-los - mesmo assim atacando as pessoas de forma tão inesperada que muitas vezes garantem o abandono que muito temem. Quando querem aguentar as pessoas, mostram-lhes a garra . Muitos terapeutas ainda não têm idéia de como tratar borderlines. E o diagnóstico da doença parece ainda estar em ascensão.

Um estudo de 2008 em cerca de 35.000 adultos no Journal of Clinical Psychiatry concluiu que a  5,9% - o que se traduz em 18 milhões de americanos - tinha sido dado um diagnóstico de TPB. Em 2000, a American Psychiatric Association acreditava que apenas 2% tiveram TPB. (Em contraste, os médicos diagnosticaram o transtorno bipolar e esquizofrenia em aproximadamente 1% da população). O TPB tem sido considerado como uma doença que afecta  desproporcionalmente as mulheres, mas as últimas pesquisas mostram nenhuma diferença nas taxas de prevalência para os homens e mulheres. Independentemente do sexo, as pessoas nos seus 20 anos correm maior risco de ter TPB do que os mais velhos ou mais novos.

O que define o transtorno de personalidade borderline - e faz com que seja tão explosivo - é a incapacidade dos sofredores para calibrar os seus sentimentos e comportamento. Quando confrontado com um acontecimento que o torna deprimido ou irritado, tornam-se frequentemente inconsoláveis e furiosos. Tais problemas podem ser agravados por comportamentos impulsivos: comer em excesso ou abuso de substâncias, tentativas de suicídio, auto-lesão intencional. (Os métodos de auto-mutilação que borderlines escolhem pode ser extremamente criativoss. Um psicólogo contou-me que uma mulher  usou cortadores de unha para tirar mechas de pele."

sexta-feira, dezembro 18, 2009


«O que distingue o homem são de um alienado,
é precisamente que o homem são tem todas as doenças mentais,
 e que o alienado tem apenas uma!»
- Robert Musil

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Excerto do livro «Helping someone you love recover from BPD» de Tami Green

Porque nos vamos embora

Familiares e amigos que ajudei, perguntaram-me porque as pessoas que eles amam os abandonaram e depois voltaram, vez após vez. Eu explico que, para realmente entender o que acontece com alguém que tem TPB, é necessário primeiro entender a forma intensa como as tempestades emocionais afectam tudo no «nosso mundo». Aqueles que têm TPB não têm «pele emocional». Muitos comentários ou observações aparentemente benignos da parte dos nossos entes queridos acerca de nós, são sentidos como um ataque. Criticas «construtivas» são sentidas numa escala de ataque. Um sistema nervoso saudável inicia uma luta ou resposta quando se sente ameaçado por um perigo. Quem tem TPB sente-se «à beira do perigo» em todos os momentos. Assim, entramos em luta ou resposta muito facilmente, especialmente quando criticados.

Visto que as relações próximas trazem um maior grau de interacção e de sofrimento, quem tem TPB muitas vezes culpa a outra pessoa pela sua angustia. Quando não compreendemos o porquê do sofrimento faz sentido atribuir a causa dessa dor à pessoa que convive conosco. Com o tempo e a compreensão percebemos que o nosso sofrimento não pode ser causado por uma pessoa, ou pelas suas palavras e acções, mas pode ser resultado de uma doença que é curável.

No entanto, só porque é curável, não significa que a cura seja rápida e fácil. Talvez tenha passado anos e gasto milhares de dólares em terapeutas para si, ou para o seu ente querido. Por vezes, para desespero dos entes queridos, leva anos para percebermos que pode existir um problema que simplesmente não se vai embora com uma mudança de cenário ou de elenco. (...)

Porque as criticas magoam tanto

Porquê a critica, mesmo quando entendida, magoa tanto? A resposta instintiva do Ego é guardar-se da critica  Qualquer pessoa que se sinta atacada, pode sentir-se na defensiva e pode defender-se. Quem tem TPB, tem um senso de si próprio muito sensível. Quando esse senso é desafiado, podem sentir que «podem quebrar-se» e deixar de existir. Quando combinado com uma resposta emocional intensa a todas as criticas, o resultado é, geralmente, uma reacção imediata, seja para evitar a dor do «ataque» , por fugir a ele o mais rápido possivel, ou por defender-se dele em contra-ataque.

Alguns que têm TPB não reagem por exteriorizar ou atacar outros. Eles agem no seu interior, por transformar a sua raiva. A sua resposta dá-se com a auto-mutilação ou disturbios alimentares. Falei com alguns que se fizeram passar por fome numa tentativa de gerir os sintomas do transtorno ou de modo a deitar fora a auto-aversão.Há também aqueles de nós que auto-mutilaram profundamente o suficiente, que causaram danos permanentes a si próprios e que requerem múltiplas cirurgias corretivas.

Assim, a pergunta permanece - o que causa esta condição? Como explica a teoria, um frágil senso de si próprio, tal como os outros sintomas que vêm do desenvolvimento do transtorno, existem devido à combinação de duas coisas: um temperamento sensível e um ambiente (viciado) que invalida o sujeito.
No processo de crescimento, quem possui um temperamento muito sensível, a resposta emocional  a qualquer estimulo dado é muito maior do que aconteceria numa pessoa dita «normal». Isto nem sempre é uma coisa má: na verdade, aqueles que têm um temperamento sensível, são pessoas frequentemente muito mais empáticas e criativas. Eles podem tornar-se grandes humanitários, terapeutas, reformadores e artistas, por exemplo. Alguns possuem qualidades que parecem boas demais para esta terra, e são muito mais abertos a experiências espirituais.

Em alguns casos, os pais entendem que estas crianças são de facto, especiais, e que devem ser estimuladas de um modo diferente. Nestes casos, quem tem um temperamento sensivel pode ser capaz, desde a mais tenra idade, de desenvolver-se em todo o seu potencial. Mas a sociedade tenta geralmente endurecer aqueles que têm um temperamento sensível. Como criança, todas as minhas emoções eram intensas. Lembro-me de estar deitada no chão, chorando, enquanto ouvia as notas de uma sinfonia no leitor de cassetes.

A maioria de nós fez o nosso melhor para esconder a sua extrema sensibilidade, dos nossos cuidadores. Os meus sentimentos sempre foram mais facilmente magoados, do que os outros. Muitos de nós sentiram-se constantemente incompreendidos e negligenciados. Na escola, optavamos por nos sentarmos sózinhos para almoçar, visto que era dificil estarmos com outras crianças. Alguns aprenderam que a única maneira de lhes prestarem atenção era por darem respostas fortes, de uma forma dramática. Em crianças com TPB, estas não são apenas formas de tentarem ser perturbadores ou de causar destruição. Estas crianças têm uma necessidade profunda de serem compreendidas e validadas. Se o forem, então, florescerão.

Explicado o profundo vazio

A sabedoria convencional diz que os cuidadores devem responder com firmeza às crianças. É dito às crianças altamente sensiveis para «se deixarem de coisas» e para «superarem isso». Infelizmente, isso invalida a pessoa até o seu nucleo. O efeito é que é «puxado o tapete» de debaixo delas. Como criança sensivel e profundos sentimentos, se lhes é dito que não podem ser assim, então a mensagem que estas recebem é que não podem ser elas mesmas. Então, se não podem ser elas mesmas, o que lhes resta? Praticamente nada. Resta apenas o vazio.

Quem tem TPB gasta a sua vida tentando agarrar-se ao que são, enquanto os outros os negam. Eles aprendem que não podem confiar nas suas próprias experiências, pensamentos, sentimentos, visto que lhes foi dito vez após vez que eles estavam errados. Na altura que entram na adolescência, ou inicio da idade adulta, estas pessoas são tão desgastadas e emocionalmente feridas que já não são capazes de esconder a sua sensibilidade. Eles não conseguem esconder por muito tempo os sintomas. Assim, as outras pessoas começam a ver o comportamento e os sintomas do TPB, que realmente se começa a manifestar.

Para nós, o primeiro passo para a recuperação é reconhecer e gerir os comportamentos que tomamos para nos protegermos e para lidar com a vida. À medida que continua,  torna-se um enorme alivio não experimentar tais emoções intensas todo o tempo. Mas o vazio ainda precisa de ser preenchido, e o senso de si próprio ainda deve ser reforçado. Isto leva tempo e muito trabalho. Mas também é um trabalho gratificante e por vezes, divertido. È quando nos redescobrimos a nós próprios,  de relaxar em quem somos, de estabelecer limites e de nos sentirmos livres para sermos nós próprios, talvez, pela primeira vez na vida.

Imagem de si próprio

Um sintoma importante do TPB, é um senso de si próprio instável. Não temos certezas nenhumas de quem somos e se podemos confiar no nosso mecanismo interno de resolução de problemas. Encontramo-nos em situações que não queremos, mas sentimo-nos impotentes de modo a dar-lhe um fim.

Novamente, esta instabilidade é dificil perceber, a menos que tenha experimentado. Imagine que os seus pensamentos, percepções, valores, ideais e formas de resolver problemas mudando dentro de si constantemente, de situação para situação. È como se fosse um astronauta flutuando no espaço, sem rumo, sempre tentando agarrar a ponta de uma corda da realidade. Temos tendencia a ser reactivos, a tomar decisões em cima do joelho, geralmente baseadas no nosso humor instável. Outras vezes definimonos através da adoção e descarte de um «sistema» de crenças, tais como as encontradas em religiões ou em grupos de auto-ajuda. Muitas vezes, nós imitamos os ideiais e os hábitos dos outros, procurando uma «auto-imagem» em que possamos caber. Isto normalmente não é feito a um nível consciente. Nós somos altamente susceptiveis à aprovação e julgamento de outros. Por outro lado, vivemos com medo de reprovação da parte daqueles que amamos. Acreditamos que é normal vivermos assim a vida, porque sempre a vivemos assim.

O senso de si mesmo instável,  sentimentos de vazio, e tentativas frenéticas para evitar o abandono, controlam os nossos relacionamentos e moldam as nossas experiências de vida. Considere o bebé que sente ter uma identidade em comum com a sua mãe. Quando a mãe está por perto, o bebé está calmo e contente, olha para a mãe, brinca com os seus brinquedos, ri-se e pratica a sua fala. Quando a mãe está fora do alcance da sua vista, como desaparecendo ao virar da esquina, o bebé rapidamente torna-se agitado e muito triste, e cedo começa a chorar desesperadamente pela mãe.

Esta ansiedade atormenta a vida de uma pessoa com TPB. Você achega-se a alguém. Mal deixam a sua vista, e você rapidamente se sente angustiado, como se estivesse apartado do mundo inteiro. Tudo o que é significativo foi-se embora, e você se sente completamente vazio e sózinho. O que na verdade é uma ausência razoável e temporária, você o sente como um abandono completo e total. Nenhuma garantia do contrário parece diminuir os sentimentos angustiantes. Nós não conseguimos recordar dos sentimentos de amor ou conexão. È por isto que, uma vez separados, nós podemos mandar-lhe mensagens de um modo frenético, ou mandar-lhe um email, ou telefonar-lhe. Estamos a tentar reconectar consigo - para nos tranquilizarmos e termos certezas de novo.

Dada essa necessidade intensa de reconexão, porque ficamos tão irritados tão rapidamente com o objecto do nosso afecto? O nosso senso de si próprio é tão frágil, e tão facilmente ameaçado. Embora sintamos um medo profundo de abandono, criticas reais e percebidas são igualmente desoladoras. Nós tentaremos, a todo o custo, defender-nos a nós próprios, independentemente das consequências, porque percebemos que o custo de não nos defendermos  é a aniquilação total do nosso «Eu».

Enquanto que precisamos que os outros nos definam, também precisamos de constante validação. Se puxarem demasiado por nós, embora pareça que não o tenham feito, nós sentimos uma dor enorme, até parecendo que podemos morrer dessa dor excruciante. E essa dor não é apenas medo, é uma dor real. Nós geralmente experienciamos dor emocional a um nível que a maioria dos humanos nem imagina.

Uma grande parte do trabalho de recuperação passa por defenir um senso de si próprio «autentico» e descobrir formas saudáveis de fazer com que as nossas necessidades sejam atendidas. Ao longo do tempo, nós aprendemos como e quando fazer valer as nossas necessidades e as formas adequadas de cuidar de nós mesmos.

Para nosso grande alívio, nós deixamos de nos sentir tão carentes todo o tempo. A vergonha que chegamos a sentir é substituida por uma confiança crescente. Aprendemos também a validar os nossos sentimentos, pensamentos, ideais, e paramos de nos culpar a nós mesmos e aqueles que amamos, nos desafios e decepções inevitáveis da vida. (...)